Escritório do Google no Brasil mostra novo estilo de gestão

http://txt.estado.com.br/editorias/2006/12/01/eco-1.93.4.20061201.46.1.xml

Escritório do Google no Brasil mostra novo estilo de gestão

Gigante da internet prevê passar de 60 para 150 funcionários no País em um ano

Renato Cruz (Folha de São Paulo)

Parece valer a pena ter de resolver equações matemáticas complexas durante o processo de contratação. Os funcionários do Google têm um pacote de regalias que dificilmente seria oferecido por qualquer outra empresa. O Googleplex São Paulo, escritório de 1,7 mil metros quadrados ocupado pela empresa há cerca de três semanas, tem uma sala para seus empregados receberem massagem. Existe um lounge com rede e almofadões em que alguns deles aproveitam para fazer a sesta, depois do almoço.

O refeitório tem uma mesa de pebolim e várias TVs de plasma. ‘Estão loucos por um PlayStation 3 agora’, afirmou Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google Brasil. A empresa oferece chocolates e refrigerantes de graça. ‘Em um mês, são consumidos 700 iogurtes, 5 mil refrigerantes e sucos e 2 mil garrafinhas de água’, apontou Hohagen. Isso para um público de 60 funcionários em São Paulo.

O consumo de refrigerantes e chocolates deve crescer rápido no Googleplex, se os planos da empresa se confirmarem. O total de empregados em São Paulo subiu de 20 em 2005 para 60 este ano. ‘Daqui a um ano, teremos duas vezes e meia esse total’, disse Hohagen.

Os funcionários do Google precisam dedicar 70% de seu tempo atividade principal da empresa, 20% do tempo a projetos correlacionados e 10% a um projeto pessoal. Nos Estados Unidos, o site de comunidade Orkut e o Google News, de busca de notícias, nasceram como projetos pessoais. No Brasil, um funcionário resolveu engajar os colegas em um projeto social e outro organizou o Google Day, dia em que os familiares visitaram a empresa. ‘Um deles trouxe o pai, para provar que ele vinha mesmo trabalhar quando saía de chinelo e bermuda’, apontou o executivo.

As salas do escritório em São Paulo têm nome de praias, como Atalaia, Maresias, Ipanema e Abrolhos. As impressoras receberam nomes de jogadores de futebol, como Ronaldinho, Zico e Garrincha. As coloridas foram batizadas com nomes de craques atuais e as preto e branco com nomes do passado.

Existe uma espécie de competição entre as subsidiárias do Google para ver quem tem o escritório mais legal. ‘Como somos mais novos, estamos bem posicionados’, disse Hohagen. ‘Temos orgulho de dizer que este é o primeiro aparelho deste modelo que o Google compra no mundo.’ Ele apontou para um sistema de videoconferência Tandberg 8000, instalado na sala Maresias.

Além do escritório comercial e administrativo em São Paulo, o Google tem um centro de pesquisas em Belo Horizonte, surgido da aquisição da brasileira Akwan, com 25 funcionários. O centro de Belo Horizonte não responde a São Paulo, mas a um diretor de tecnologia em Nova York. Em www.google.com.br/jobs, a empresa tem vários postos em aberto, em São Paulo, Belo Horizonte e fora do Brasil para quem fala português. ‘O processo de contratação é muito cauteloso, para não dizer complexo’, apontou Hohagen.

A principal atividade do Google no Brasil é a venda de links patrocinados, os pequenos anúncios de texto que aparecem ao lado do resultado das buscas e em sites de parceiros. ‘O mercado brasileiro de anúncios online é praticamente inexplorado, muito pequeno ainda’, disse o diretor do Google. ‘Ele responde por 1,9% do total dos gastos publicitários.’ Apesar de ter uma estimativa sobre os links patrocinados, Hohagen preferiu não divulgá-la.

Durante 2006, o Google realizou 150 eventos com empresas, para divulgar seu serviço de anúncios. Ontem, Hohagen participou de um evento para o setor financeiro e, anteontem, de outro para o setor automotivo. Na terça-feira, falou para 70 executivos da Cadbury Adams. ‘Já falamos com mais ou menos 20 mil profissionais brasileiros de marketing e publicidade.’ Existem clientes que chegam a comprar 300 mil palavras, e ao lado de seus resultados de busca são exibidos os anúncios.

YouTube nunca mais…

Bom, agora não vou mais postar vídeos do YouTube, pois ela foi comprada pelo Google…

Só postarei vídeos do Google, hehehehe…

http://info.abril.com.br/aberto/infonews/102006/09102006-14.shl

SÃO PAULO – O Google anunciou, nesta segunda-feira (9), a compra do site de compartilhamento de vídeos YouTube. O Google pagará US$1,65 bilhão em ações aos proprietários do serviço.

Diretores de Google e YouTube passaram toda a tarde desta segunda-feira reunidos para acertar os detalhes do negócio. As partes optaram por anunciar o acordo após o fechamento da Nasdaq, s 16 horas em Nova York, 17 horas em Brasília.

A informação de que o Google compraria o YouTube ganhou força na sexta-feira (6) e chegou a ser divulgada em alguns meios de comunicação. A transação é a maior aquisição, em valor, já feita pelo Google.

Em breve nota, o Google afirma que está “feliz e entusiasmado com a aquisição” e afirma que “preservará as características do serviço que criou uma vibrante comunidade na internet”. O Google diz ainda que o negócio cria “novas oportunidades” para a empresa.

Fundado em fevereiro de 2005, o YouTube é um dos pioneiros em serviços de publicação de vídeos na internet. Atualmente, 100 milhões de vídeos são vistos diariamente no YouTube e, a cada dia, novos 65 mil vídeos são postados no serviço.

Nos Estados Unidos, a predominância do YouTube sobre seus competidores é notória. De acordo com estudo da empresa de marketing Hitwise, o YouTube responde sozinho por 46% da audiência de vídeos na internet no mercado americano. Seus competidores vêm bem atrás. O site MySpace, da NewsCorp, detém 23% deste mercado e o Google Videos 10%.

O site, que só nos Estados Unidos recebe 20 milhões de visitantes únicos por mês, já recebeu US$ 11,5 milhões em dois aportes de capital. Sua sustentabilidade, no entanto, é constante alvo de especulações.

Afinal, os custos para manter uma infra-estrutura que sustente o crescimento do YouTube são elevados e não há contrapartida relevante de venda de anúncios ou outras receitas.

Além de interesse estratégico pelo mercado de vídeos, o Google tem recursos para financiar o crescimento do serviço. Wall Street estima que o Google tenha em torno de US$ 10 bilhões em caixa, disponíveis para novos investimentos e aquisições. O gigante das buscas tem ainda forte expertise para explorar o potencial comercial do YouTube.

Recentemente, o bilionário investidor e veterano da internet Mark Cuban manifestou opinião negativa sobre o YouTube. Cuban diz que o site viola constantemente leis de copyright ao permitir que conteúdo proprietário seja publicado em seu serviço sem controle.

O investidor acredita que o atual sucesso do serviço será soterrado por uma “avalanche de processos” num futuro próximo. O investidor afirmou ainda que “só um idiota compraria o YouTube”.

O serviço de compartilhamento de vídeos, no entanto, tem feito grande esforço para diminuir este risco. Além das ferramentas para tirar do ar vídeos ilegais, o YouTube anunciou acordos com grandes estúdios americanos como Universal, CBS e Sony para exibir seu conteúdo online.

A expectativa em torno da compra do YouTube fez as ações do Google se valorizarem ao longo do dia na Nasdaq. Ao final do pregão, a ação do Google era vendida a US$ 429 valorização de 2,02% frente a 0,51% do índice da Nasdaq.